{"id":4630,"date":"2026-11-03T16:23:42","date_gmt":"2026-11-03T16:23:42","guid":{"rendered":"https:\/\/browserchoicealliance.org\/?p=4630"},"modified":"2026-11-03T17:58:59","modified_gmt":"2026-11-03T17:58:59","slug":"what-new-behavioural-research-says-about-microsofts-dark-patterns-and-browser-choice-on-windows","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/browserchoicealliance.org\/pt\/what-new-behavioural-research-says-about-microsofts-dark-patterns-and-browser-choice-on-windows\/","title":{"rendered":"What new behavioural research says about Microsoft\u2019s dark patterns and browser choice on Windows"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Uma nova investiga\u00e7\u00e3o do Behavioural Insights Team (BIT) analisa 10 pr\u00e1ticas de conce\u00e7\u00e3o que a Microsoft utiliza para empurrar os utilizadores de Windows para o Edge e afast\u00e1-los dos navegadores alternativos, e examina de que forma podem prejudicar a sua liberdade de escolha.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Based on the BIT report \u201cDark patterns in browser choice architecture: A behavioural science perspective and their potential impact on users\u201d (October 2026). Additional context on Microsoft\u2019s practices comes from material provided by the BCA.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph translation-block\">Comprar um PC com Windows e escolher o navegador devia ser simples. Muitas vezes n\u00e3o \u00e9. Antes ainda de os utilizadores terem feito, ou sequer de lhes ter sido oferecida, qualquer escolha de navegador, o Edge \u00e9 o \u00fanico navegador pr\u00e9-instalado nos novos PC com Windows dos grandes fabricantes. \u00c9 esse o resultado do programa \u201cJumpstart\u201d da Microsoft, cujos termos s\u00e3o mantidos em segredo, mas que aparentemente exige que o Edge, e apenas o Edge, venha pr\u00e9-instalado em todos os PC que os fabricantes comercializam ao seu abrigo. O que acontece quando um utilizador tenta escolher outra coisa \u00e9 precisamente o que examina a nova investiga\u00e7\u00e3o do Behavioural Insights Team (BIT), uma empresa brit\u00e2nica especializada em an\u00e1lise comportamental. \n<br><br>\nO BIT foi contratado pela FTI Consulting em nome da Browser Choice Alliance (BCA), e a sua an\u00e1lise assenta nos elementos de prova fornecidos pela BCA e pelos seus membros.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-1 wp-block-paragraph\"><strong>O que o BIT constatou: padr\u00f5es obscuros ao longo do percurso do utilizador de Windows<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph translation-block\">O BIT qualificou de padr\u00f5es obscuros 10 pr\u00e1ticas da Microsoft em tr\u00eas fases do percurso do utilizador de Windows: a instala\u00e7\u00e3o de um navegador alternativo, a sua primeira utiliza\u00e7\u00e3o e a atualiza\u00e7\u00e3o do sistema operativo. Estes padr\u00f5es obscuros s\u00e3o t\u00e1ticas de conce\u00e7\u00e3o que, ou dificultam a escolha de um navegador que n\u00e3o o Edge, ou anulam uma escolha que o utilizador j\u00e1 fez. Atuam de tr\u00eas formas: acrescentando atrito ou obst\u00e1culos que consomem o tempo e a aten\u00e7\u00e3o do utilizador, a que o BIT chama \u201catrito e obstru\u00e7\u00e3o\u201d (\u201csludge and obstruction\u201d); fazendo parecer que o Edge \u00e9 mais seguro ou mais f\u00e1cil de utilizar, sem qualquer fundamento, a que o BIT chama \u201cenquadramento enganador\u201d (\u201cdeceptive framing\u201d); e empurrando os utilizadores para o Edge atrav\u00e9s de \u201cincentivos subtis\u201d (\u201cnudges\u201d).<br><br>\n\nO atrito come\u00e7a quando os utilizadores procuram alternativas. Quando algu\u00e9m pesquisa um navegador concorrente, a Microsoft apresenta-lhe um banner intrusivo que o incita a ficar antes com o Edge. Uma vez instalada a alternativa, clicar em \u201cPredefinir\u201d (\u201cSet default\u201d) nas defini\u00e7\u00f5es do Windows s\u00f3 altera o navegador predefinido para algumas liga\u00e7\u00f5es web (como http e https), ao passo que outros tipos de ficheiro pr\u00f3prios do navegador, como os PDF, continuam associados ao Edge.<br><br>\n\nMesmo quando o utilizador definiu um navegador concorrente como predefinido, a escolha muitas vezes n\u00e3o se mant\u00e9m. As liga\u00e7\u00f5es da pesquisa do Windows, dos widgets e do ecr\u00e3 de bloqueio s\u00f3 abrem no Edge, e as do Outlook e do Teams acabam no Edge, a n\u00e3o ser que o utilizador encontre defini\u00e7\u00f5es separadas em cada aplica\u00e7\u00e3o. As solu\u00e7\u00f5es alternativas que teriam permitido a mudan\u00e7a com um s\u00f3 clique foram bloqueadas pela Microsoft em abril de 2023. O Edge pode ainda fazer-se passar pelo navegador alternativo escolhido pelo utilizador, \u201croubando\u201d separadores a esse navegador concorrente e abrindo-os automaticamente no Edge no in\u00edcio de sess\u00e3o, com o bot\u00e3o de aceita\u00e7\u00e3o desta experi\u00eancia mais destacado do que o bot\u00e3o de recusa.<br><br>\n\nE, como se n\u00e3o bastasse, uma atualiza\u00e7\u00e3o do Windows pode repor diretamente o Edge como navegador predefinido. Mesmo quando o utilizador tem tudo configurado como quer, um aviso de atualiza\u00e7\u00e3o do Windows 11 pode repor o Edge como predefinido. O BIT observou que esse aviso apresenta a altera\u00e7\u00e3o como \u201cUtilizar as defini\u00e7\u00f5es de navegador recomendadas\u201d (\u201cUse recommended browser settings\u201d) e a alternativa como \u201cN\u00e3o atualizar as defini\u00e7\u00f5es\u201d (\u201cDon\u2019t update your settings\u201d), com a primeira op\u00e7\u00e3o mais destacada. Os utilizadores que n\u00e3o optam ativamente por recusar (\u201copt out\u201d) ficam com o Edge reposto como navegador predefinido e, uma vez que as atualiza\u00e7\u00f5es s\u00e3o recorrentes, isso pode repetir-se vezes sem conta. O BIT conclui que tal cria uma arquitetura de escolha (\u201cchoice architecture\u201d) assim\u00e9trica ao n\u00edvel do sistema operativo, que torna mais f\u00e1cil aos utilizadores aceitarem a altera\u00e7\u00e3o e devolverem ao Edge a condi\u00e7\u00e3o de navegador predefinido.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O que isto pode custar aos utilizadores<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph translation-block\">A an\u00e1lise do BIT centra-se em escolhas desiguais por conce\u00e7\u00e3o. Aceitar o Edge \u00e9 f\u00e1cil, ao passo que manter os navegadores preferidos exige passos adicionais, como recusar uma op\u00e7\u00e3o pr\u00e9-selecionada num aviso ou contornar um banner intrusivo e muito vis\u00edvel que surge no topo do ecr\u00e3 de resultados do Bing e que incita os utilizadores a ficarem com o Edge quando procuram navegadores alternativos. O BIT afirma que estas op\u00e7\u00f5es de conce\u00e7\u00e3o criam um \u201cespa\u00e7o de decis\u00e3o assim\u00e9trico\u201d (\u201casymmetrical decision space\u201d), isto \u00e9, um espa\u00e7o em que mudar para outro navegador se afigura menos apelativo e mais dif\u00edcil do que continuar com o Edge. A conclus\u00e3o do BIT \u00e9 que, nestes casos, a escolha se torna \u201cmais dif\u00edcil de concretizar, menos transparente ou menos atrativa\u201d.<br><br>\n\nOs passos adicionais custam tempo e esfor\u00e7o aos utilizadores. Uma meta-an\u00e1lise de 184 experi\u00eancias de campo, com mais de 2,2 milh\u00f5es de participantes, concluiu que alterar o esfor\u00e7o necess\u00e1rio para realizar uma a\u00e7\u00e3o foi uma das alavancas mais poderosas, de entre as testadas, sobre a concretiza\u00e7\u00e3o efetiva pelo utilizador. No caso concreto dos navegadores, um estudo de usabilidade constatou que alguns utilizadores de Windows n\u00e3o conseguiam alterar o seu navegador predefinido ou simplesmente desistiam, invocando \u201cdefini\u00e7\u00f5es ocultas ou confusas\u201d. E, para os utilizadores de Windows que ultrapassaram estas barreiras e escolheram um navegador alternativo, cada anula\u00e7\u00e3o a favor do Edge significa mais tempo e mais esfor\u00e7o para voltar ao ponto de partida. <br><br>\n\nQuando algo se torna mais dif\u00edcil de encontrar, \u00e9 mais prov\u00e1vel que as pessoas acabem com uma op\u00e7\u00e3o que n\u00e3o era a que queriam, um preju\u00edzo a que o BIT chama \u201cperda de autonomia\u201d (\u201closs of autonomy\u201d), em que dificultar o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o pode levar as pessoas a decidir contra as suas pr\u00f3prias prefer\u00eancias. Numa experi\u00eancia sobre privacidade com 7430 participantes de seis pa\u00edses europeus, os passos adicionais para aceder a informa\u00e7\u00e3o essencial tornaram as pessoas cerca de 12 pontos percentuais mais propensas a decidir contra as suas pr\u00f3prias prefer\u00eancias. Se os utilizadores quiserem alterar onde abrem as liga\u00e7\u00f5es provenientes de aplica\u00e7\u00f5es de produtividade essenciais da Microsoft, como o Outlook e o Teams (que abrem inicialmente no Edge), t\u00eam de percorrer \u201cdefini\u00e7\u00f5es avan\u00e7adas\u201d adicionais para poderem escolher. E se quiserem alterar onde abrem as liga\u00e7\u00f5es e os ficheiros, n\u00e3o o podem fazer com um s\u00f3 clique, tendo antes de ir \u00e0s defini\u00e7\u00f5es e escolher penosamente o seu navegador predefinido ficheiro a ficheiro e tipo de liga\u00e7\u00e3o a tipo de liga\u00e7\u00e3o.<br><br>\n\nAs op\u00e7\u00f5es pr\u00e9-selecionadas que se aplicam num percurso de utiliza\u00e7\u00e3o, salvo recusa ativa do utilizador, tamb\u00e9m desempenham um papel. O BIT observa que as op\u00e7\u00f5es pr\u00e9-selecionadas podem facilitar uma configura\u00e7\u00e3o r\u00e1pida, mas que se podem tornar padr\u00f5es obscuros quando s\u00e3o usadas para contrariar as prefer\u00eancias dos utilizadores ou quando carecem de fundamento. Em 58 estudos, as pessoas tinham 27 % mais probabilidades de n\u00e3o recusar a op\u00e7\u00e3o pr\u00e9-selecionada ao escolherem entre duas alternativas. Isto \u00e9 relevante para o aviso ao n\u00edvel do sistema operativo que a Microsoft apresenta durante o processo de atualiza\u00e7\u00e3o do Windows, que pr\u00e9-seleciona as defini\u00e7\u00f5es recomendadas pela Microsoft (repondo o Edge como navegador predefinido).<br><br>\n\nAlguns utilizadores podem ser mais afetados do que outros. Os utilizadores com pouco tempo deparam-se com o inc\u00f3modo de voltar ao navegador que j\u00e1 tinham escolhido, enquanto os utilizadores mais velhos e as pessoas com menor literacia digital poder\u00e3o ter mais dificuldade em encontrar defini\u00e7\u00f5es escondidas ou em saber como corrigir a situa\u00e7\u00e3o. Os preju\u00edzos v\u00e3o al\u00e9m do tempo perdido. As mensagens de seguran\u00e7a sem fundamento, uma forma de \u201cenquadramento enganador\u201d, e os incentivos subtis que fazem do Edge a op\u00e7\u00e3o f\u00e1cil podem diminuir a capacidade das pessoas para tomarem decis\u00f5es informadas. O \u201catrito e obstru\u00e7\u00e3o\u201d que anula repetidamente a escolha do utilizador (por exemplo, as liga\u00e7\u00f5es web dos widgets e da pesquisa do Windows que ignoram o navegador predefinido do utilizador) pode gerar \u201cfrustra\u00e7\u00e3o e perda de confian\u00e7a\u201d.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Europe changed. Most of the world didn\u2019t.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao abrigo do DMA, a Microsoft introduziu v\u00e1rias altera\u00e7\u00f5es na UE: os utilizadores podem desinstalar o Edge, a Microsoft comprometeu-se a n\u00e3o mostrar os banners que incitam a ficar com o Edge e, ao alterar-se o navegador predefinido no Windows 11, s\u00e3o agora atualizados automaticamente mais tipos de liga\u00e7\u00f5es e de ficheiros. A situa\u00e7\u00e3o na UE continua a deixar muita margem para melhorias, mas pelo menos os utilizadores da UE est\u00e3o melhor do que os do resto do mundo, onde a Microsoft, na sua maioria, n\u00e3o introduziu quaisquer altera\u00e7\u00f5es que libertem a escolha do utilizador. O BIT nota igualmente que muitos pa\u00edses fora da UE continuam a ver estes padr\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Regulators should require that Microsoft respect users\u2019 choice<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph translation-block\">Os reguladores est\u00e3o atentos. No Reino Unido, a Autoridade da Concorr\u00eancia e dos Mercados (CMA) publicou, em 16 de outubro de 2026, uma decis\u00e3o proposta no sentido de designar a Microsoft como detentora de um estatuto de mercado estrat\u00e9gico (\u201cstrategic market status\u201d) relativamente ao seu ecossistema de software empresarial. No roteiro indicativo que a acompanha, a CMA faz eco dos apelos de terceiros para garantir que a liberdade efetiva de escolha n\u00e3o \u00e9 comprometida pela conce\u00e7\u00e3o das interfaces de utilizador da Microsoft, incluindo uma arquitetura de escolha negativa que oriente os utilizadores \u201cpara os seus pr\u00f3prios produtos, mesmo quando os utilizadores definiram como predefinido um produto de terceiros\u201d. A autoridade da concorr\u00eancia brasileira, o CADE, abriu tamb\u00e9m uma investiga\u00e7\u00e3o de concorr\u00eancia espec\u00edfica sobre as pr\u00e1ticas de padr\u00f5es obscuros da Microsoft. A BCA sa\u00fada estes desenvolvimentos e insta os demais reguladores de todo o mundo a tirar partido deste impulso.<br><br>\n\nQuando os utilizadores escolhem um navegador alternativo e o definem como predefinido, essa escolha deve ser respeitada. Os reguladores devem proteger a liberdade de escolha de navegador no Windows antes que as mesmas barreiras se instalem em dom\u00ednios mais recentes, como a intelig\u00eancia artificial. \u00c9 agora o momento de intervir para fomentar maior concorr\u00eancia e liberdade de escolha dos utilizadores nos PC com Windows. O seu PC, o seu navegador, a sua escolha.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/browserchoicealliance.org\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Browser-Choice-Alliance-BIT-Report.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pode consultar o relat\u00f3rio completo do BIT aqui.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>About the BIT report: BIT mapped evidence supplied by BCA members across the Windows user journey, from installing an alternative browser to updating the operating system, and reviewed the behavioural science literature on what such practices could mean for users. Its findings on Microsoft\u2019s practices rest entirely on materials supplied by the BCA, and some of the practices described may apply only in certain jurisdictions. BIT used AI tools to support its literature review and drafting, with outputs verified by human researchers and subject to senior quality assurance checks.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>New research from the Behavioural Insights Team (BIT) analyses 10 design practices that Microsoft employs to push Windows users towards Edge and away from alternative browsers, and examines how these could harm user choice. 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